Jamais será por nós esquecido

Publicado em: 01/03/2020 às 23:05


Com licença senhores, família, amigos e alunos de nosso querido sgt Niues, sou a aluna Dyandra, do colégio policial militar e vim por meio deste singelo texto demonstrar apenas um pouco do carinho e do amor que todos nós sentimos por esse amado ente que nos deixou ontem e também da grande pessoa que este era. Conheço apenas há dois anos essa imensa e valiosa pessoa cujo o primeiro nome era Marcos. Desde então, já posso dizer que talvez ele seja uma das pessoas mais importantes e marcantes da minha vida. Sempre exercia mais que sua função. Se seu trabalho era fazer 10, ele fazia 20, e sempre com enorme compaixão e paixão, principalmente se tratando de seu trabalho ou família, seus maiores amores. Sempre esboçando um sorriso no rosto, ele fazia tudo com esmero, pois pra ele, missão dada era missão cumprida. No entanto, mesmo falando sobre as grandes qualidades e da grande humildade de Marcos Joel Niues Luiz, eu não conheci nem metade da pessoa que ele era. Porém, o pouco que vi, foi o suficiente para jamais esquecê-lo. Além de iniciar sua carreira destemidamente na policial militar em 1989, na atividade operacional, realizaste diversos cursos de aperfeiçoamento técnico, aproveitando cada oportunidade, que, como dizias, não devíamos deixar escapar. Agregaste ao grupo de Resposta Tática, conhecido hoje como Pelotão de Patrulhamento Tático e foste convocado diversas vezes para fazer parte da força nacional, em Brasília, também atuando como instrutor de técnicas policiais aos novos integrantes. Formaste centenas de policiais militares espalhados por toda a santa Catarina, e tenho quase certeza de que pelo menos metade dos pms de Blumenau tem alguma recordação de como só praticavas o bem. Depois de todos esses fatos apresentados acima, quando já estavas aposentado e na reserva remunerada, foste obsequiado para trabalhar como monitor dos alunos do colégio Feliciano nunes pires, onde se encontravas até esta semana. E digo ainda que, se não tivesses aceitado essa proposta, o cfnp nunca teria sido como
foi, não chegaria nem aos pés do que é e nós provavelmente não teríamos a mesma visão que temos hoje do colégio. Quando nossos dias estavam rodeados de tarefas, trabalhos, provas e insatisfações, estavas ali. Quando tínhamos problemas familiares, estavas ali. Quando estávamos muito bravos, estressados ou tristes, estavas ali. É claro, daquele jeitinho Niues de ser, mas sempre presente, sempre ali. Com suas piadas inéditas, alegrava nosso dia, simplesmente pelo fato de usar seu belo humor conosco. Os apelidos que davas não eram ofensas, longe disto, mas muitas das vezes, até elogios. Juju bailarina, kid brinquedo, odontologista, paraquedista, caçador de elogios, Nicolas maduro, ladrão de comandos, boca de sapo, cabelo de urso, lobisomem roqueiro, sapato amassado, linguarudona, oferecidão, peruador, perez vittar, agressiva, ladra de medalhas, menina das bonecas, carolina cheira chão, alisadora de cachorro, Sofia koerich e Pamela kollmann, entre muitos outros. Em suas brincadeiras de descontração, insinuava espancamento de aluno, mas só insinuava mesmo, pois tinha um enorme carinho por trás de todas as suas palavras. Para verificar se nossas unhas estavam bem cortadas e limpas, torcia nosso braço para trás em um movimento de luta, sem fazer a torção de fato, é claro, e sempre falando que éramos coveiros. Em um breve momento em que saíamos da sala para, por exemplo, ir ao banheiro, já dizias que estávamos a executar a operação codorna e que gostávamos de voar. Dizia, ainda, que era formado em muitos cursos na Polônia, e que era o mais lindo e mais mentiroso de todo o colégio. Era nosso tio sargento Niues e também nosso papai smurf, pois sempre tinha piedade de nossas infrações e sempre nos ajudava a voltar ao padrão, dizendo: “ta me devendo jovem”. Quando inventávamos uma dor, ou realmente a sentíamos, lá vinha ele com seu famoso chá de boldo, do qual dizia que curava tudo e todos. Sua música
clássica na monitoria e seu chimarrão são outras marcas que podemos deixar registradas sobre você. Ao final da aula, com todo o amor que dedicava a nós, dizia: “amanhã é outro dia, não esqueçam os materiais, façam as tarefas, assinem os documentos e no mais vão com deus e até amanhã”. Não peruaras jovem, seus boca, falta muito pra ficar ruim, nenê de mami, papi ou vó e sei que sou bonito mas olha pra frente eram umas das poucas frases das quais dizias e que ficarão guardadas para sempre em nossas mentes. Uma pessoa direta, curta e grossa, sarcástica, criativa e que inventou orações em diversas línguas, sempre estará em nossos corações e nossos pensamentos. Para mim, não é possível se compreender o sentimento do qual a família está amargamente vivenciando, e sei que não se é possível fazer nada a respeito além de prestar todo apoio que estiver em nosso alcance. Também não posso compreender os sentimentos dos policiais militares que conviveram com ele durante sua experiencia militar, pois se passaram muitas ocorrências das quais partilharam juntos, momentos muito difíceis, etc. No entanto, tendo partilhado 2 anos no CFNP, posso dizer que me permiti cativar e que também sinto uma enorme falta. Assim como eu, acredito que nenhum dos alunos da primeira turma imagina um colégio sem o sgt Niues e seu carisma. Não acho que exista um adjetivo capaz de descrever a pessoa que fostes, e muito obrigada por tudo isto.

 

Por: Dyandra Wan-Dal, aluna do 8º ano CFNP       Fotos: Arquivo CFNP.

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